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Qualidades invejáveis para quem deseja chegar ao topo

O economista e consultor Umair Haque resolveu falar de amor para definir o que é a verdadeira liderança, em um artigo publicado na Harvard Business Review. Diretor da consultoria Havas Media Labs e autor de Betterness: Economics for Humans e The New Capitalist Manifesto: Building a Disruptively Better Business, ele defende que a maneira de encarar esse sentimento é a principal diferença entre um verdadeiro líder e um aspirante a líder.

Segundo ele, estamos vivendo um momento de fracasso histórico de liderança, justamente quando o mundo mais precisa de líderes. Olhando ao redor, é difícil até mesmo lembrar o que é liderança. Estamos cercados por pessoas que são especialistas em ganhar eleições títulos, bônus. Mas meros vencedores não são os verdadeiros líderes. Ser um líder, para Haque, não é uma questão de o que você tem nem em que quantidade, mas, sim, do que você faz e por quê. Trata-se de saber se você está vivendo uma vida que vale a pena ser vivida.

Segundo o consultor, os líderes não levam ninguém a lugar algum. Mas devem conduzir cada um para o melhor que pode ser.

Haque separa os líderes dos aspirantes a líderes a partir das seis condutas a seguir.

Obedecer ou se revoltar?

Você está seguindo o protocolo ou reformulando os padrões? Aqui está a diferença básica entre os líderes e os aspirantes. Aspirantes fazem o que deve ser feito, previsivelmente, respondendo a estímulos, como bons robozinhos. Eles fazem isso por dinheiro e acabam sufocados pela vida que escolherem. Já os líderes não apenas agem de acordo com o que “devem”, mas sua conduta tem um quê de revolução. Eles reinventam os estímulos, em vez de meramente reagir a eles. Seus princípios são mais valorosos do que o bônus que receberão no próximo ano. Assim, avaliam um cenário mais amplo e relevante do que apenas as demandas do momento. Se você facilmente se desvia de seu propósito pessoal em troca de um prêmio mais rechonchudo, a constatação é simples: você não é um verdadeiro líder.

Conformar-se ou se rebelar?

Você está quebrando as regras ou seguindo as que já estão estabelecidas? As regras existem para evitar desvios de conduta, para preservar o status quo e trazer os que se destacam da massa de volta para baixo da média. Isso é maravilhoso se você estiver produzindo programas de computador com funções pontuais e restritas. Mas é terrível se você quiser fazer algo mais que isso. Os líderes devem romper com o status quo e mostrar que os seguidores não só podem, como devem quebrar as regras. Se o que você faz é somente seguir o que já estava definido, então você não é um verdadeiro líder.

Valor ou valores?

Por que as pessoas seguem líderes? Porque eles prometem guiá-los em viagens que valem à pena. O aspirante a líder cria “valor” para os acionistas, para os clientes e para os “consumidores”. Mas o líder nato cria o que é mais verdadeiro, mais duradouro e mais ressonante: o valor humano. Faz isso atraindo pessoas com princípios e propósitos relevantes para perto de si. O valor sem os valores é vazio, restrito, árido. Se você estiver criando valor, sem definir seus valores, não é um líder: É apenas um aspirante.

Visão ou verdade?

O aspirante define uma visão. Com gestos e fala eloquentes e um magnífico panorama, sua visão é brilhante. Já o líder tem uma tarefa mais difícil: dizer a verdade, nua e crua. Muita gente acha que uma boa visão é o que inspira as pessoas. Errado. Se você realmente quer influenciar, diga a verdade. Não há nada que liberte mais os outros do que a verdade. O líder diz a verdade porque sua tarefa fundamental é fazer com que as pessoas ofereçam o melhor delas, e a verdade é o que nos eleva, o que nos abre possibilidades, o que produz em nós a sensação de que devemos tornar-nos aquilo o que fomos feitos para ser. Um dos testes mais seguros para saber se você é um verdadeiro líder é saber se está apenas vendendo uma grande visão, ou, se, ao contrário, está ajudando a trazer as pessoas um pouco mais para perto de suas próprias verdades. Caso tenha que se perguntar o que é essa tal “verdade”, adivinhem? Você definitivamente não é um líder.

Tiro ao alvo ou arquitetura? Aspirantes são como robôs. Eles têm um conjunto de números que devem atingir e pronto. Já o trabalho do líder é não apenas “acertar um alvo”, mas redesenhar o campo de jogo. É arquitetura, e não mero tiro ao alvo. Se você só acerta um ponto, não é um líder. É apenas um executor, em um jogo cada vez mais sem sentido.

Amor ou “o amor”. Muitos de nós escolhemos empregos em que sentimos “amor”. Só que a definição desse amor está mais para mero prazer de desempenhar aquela ação. O verdadeiro amor é tão doloroso que chega a ser agradável. Ele nos transforma. É essa a marca mais marcante de um verdadeiro líder. Eles têm uma sede que não pode ser saciada apenas por meio de conquistas, prêmios ou honrarias. Só pode ser suprida através da transformação. É por isso que os verdadeiros líderes devem, apesar do preço, por meio da dor, às vezes com muito desgosto no coração, liderar.

No entanto, estamos com medo da palavra “amor”. Medo do amor, porque esta é a substância mais perigosamente explosiva que o mundo já conheceu. O amor é o que liberta os escravos e escraviza o livre. Porque o amor é tudo o que temos, quando nos deparamos com os momentos finais da vida, e entendemos que ela só faz sentido se for algo maior que nós.

Os velhos dizem: crianças, vocês não devem nunca, jamais, acreditar no amor. O amor é uma heresia. Acredite em nossas máquinas. Acredite em operação e cálculo. Nossas máquinas perfeitas levarão à perfeição.

Mas mesmo uma máquina perfeita é apenas uma máquina.

É comum dizer que os líderes “inspiram”. Mas isso é apenas metade da história. Líderes nos inspiram porque eles trazem o melhor de nós. Eles evocam em nós o que temos de mais completo, verdadeiro e nobre. E é por isso que nós os amamos. Não apenas porque eles pintam retratos de uma vida melhor, mas porque eles nos impelem a ser os criadores de nossa própria vida.

Fonte: Época – Negócios

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