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Conforto: Lugar onde não poderemos estar.

Conforto: Lugar onde não poderemos estar.
Já há alguns anos especialistas em desenvolvimento humano escrevem inúmeras páginas entre artigos, livros, reportagens e investem muito de seu tempo criando palestras, treinamentos, aulas, empregando todos os recursos disponíveis para abrir os olhos dos profissionais das mais diversas áreas e carreiras a respeito do perigo existente na zona de conforto.

Pois bem, esse artigo também trata disso, mas espero que traga uma nova luz. Vou descrever melhor por meio de uma experiência pessoal:

Minha carreira estava fundamentada na área da saúde, especificamente em Análises Clínicas e Microbiologia Hospitalar. Entre o estágio da fase do colégio técnico e os dias de hoje passaram-se vinte e seis anos. Durante esse período, que inclui Universidade, cursos diversos, noites em claro trabalhando ou estudando, muitas coisas aconteceram e é uma parte da história pessoal e individual que não há como mudar.

Sem dúvida que houve muito mais coisas positivas que negativas, afinal, dedicar sua vida em favor de outras vidas traz um aprendizado imenso para além de fins acadêmicos.

Porém, o que nem todos imaginam é que os profissionais da saúde de modo geral independentemente da área ou setor que atuam, trabalham na maioria das vezes em dois ou mais empregos em razão de salários incompatíveis com as demais carreiras. Por conta das extensas jornadas de trabalho essas pessoas abdicam de estar mais tempo com suas famílias, sacrificam feriados, festas, finais de semana e finais de ano e os mais diversos eventos sociais com o intuito de ter e oferecer uma vida mais confortável.

Para essas pessoas quase nunca faltam novas oportunidades de trabalho pois a todo instante são inaugurados clínicas, hospitais, etc.

O cansaço é uma constante e os dias parecem intermináveis. Não são raros os casos de gente depressiva, estafada, dentre outras coisas.

Percebi então, que já estava agindo no “piloto automático” e que o trabalho muito mais me incomodava do que satisfazia. Saía chorando algumas vezes para trabalhar, não queria mais tanto sacrifício, mas precisava do dinheiro. O que mais eu sabia fazer? Tinha passado mais da metade da vida fazendo aquilo e talvez fosse o que eu soubesse fazer melhor.

Um dia ouvi uma história sobre alguém que decidiu trocar de profissão após exercê-la por trinta anos. E então, acendeu-se em mim uma nova luz.

Descobri que o que me fazia trabalhar desse modo era meu amor por gente. Estar perto das pessoas e fazer O BEM a elas era o que eu realmente sabia fazer.
Pois bem. Levei algum tempo até decidir de fato o que faria. Mas tinha a certeza de que não queria mais continuar daquela maneira e de alguma forma queria contribuir com as pessoas que se encontrassem na mesma situação.

Comecei a estudar casos de pessoas que deixaram uma carreira sólida para recomeçar em outra profissão, mas que além de tudo fosse mais que isso, fosse uma missão, a verdadeira vocação.

Ingressei então em outro curso de graduação, agora voltado para a área de Ciências Humanas, cursei horas e horas em formações especializadas em desenvolvimento humano e agora acabo de me lançar no mercado em minha nova carreira.

Mudar é necessário. É um processo doloroso, pois exige coragem e abnegação. Exige humildade e consciência de que tudo ocorre em etapas que devem ser vencidas diariamente.
Houve muita vontade de desistir e voltar à zona de conforto. O processo de aprendizado é um caminho sinuoso. Pouco se sabe a respeito e cada curva reserva uma nova visão.

No final, a paisagem sempre vale a viagem. Nada pode compensar a satisfação de vencer seus próprios limites e quebrar seus velhos paradigmas.

Experimente. Você vive sua verdadeira vocação ou sua profissão é um sacrifício diário para prover seu sustento e de sua família?

Pense bem. Pior do que deixar para pensar nisso mais tarde, é ficar tão tarde que não possa mais fazer nada além de pensar no que poderia ter feito enquanto havia tempo.

A zona de conforto é um campo minado. Um passo não calculado transforma tudo em nada. Já pensou nisso?

Fonte: RH Portal.

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