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Coaching não é um curso, é um processo de desenvolvimento de competências de liderança

Imagine se você, ao sentir-se doente, fosse a um hospital e, ao passar pela triagem, em vez de ser encaminhado a um médico, lhe dissessem que você tem de estudar medicina para se curar? Descobri recentemente que algumas escolas de coaching estão fazendo algo semelhante com quem as procura. Penso que é o momento de desfazer essa confusão.

Diferenças entre curso de formação de coaches e coaching

Coaching não é um curso, é um processo de desenvolvimento de competências de liderança ou de desenvolvimento humano. Não é terapia, não é mentoria, não é consultoria e nem aconselhamento. Portanto, não é substituto a nenhuma dessas ações. Conduzido por um profissional chamado “coach”, o processo produz reflexões profundas sobre o futuro desejado pelo cliente e, principalmente, as ações que deverá fazer para concretizá-lo.

No momento, no mercado de coaching, as organizações que mais ganham dinheiro são aquelas que formam coaches. Algumas delas são responsáveis por boa parte da confusão. Muitas vezes, o indivíduo que precisa de um processo de coaching entra em contato com essas empresas, e elas procuram lhe vender um curso para formação de coach. Avalie com severas restrições empresas que se comportam desse modo. Vender um curso de formação a quem procura um coach é inaceitável.

Quando procurar um coach

O coach pode ser um aliado valioso nas seguintes situações:

1) A pessoa, de origem técnica, será promovida a um cargo de liderança. Nesse caso, o processo é ideal para fazê-la desenvolver mais rápido as competências de líder.

2) A pessoa já é líder, mas será promovida a uma liderança mais abrangente e desafiadora. O processo vai auxiliá-la a reforçar competências como: alcançar resultados por meio de pessoas, comunicação assertiva e estabelecer alianças.

3) A pessoa enfrenta adversidades em sua carreira e precisa desenvolver-se para lidar com elas antes que o estresse cause problemas mais sérios. Nesse caso, o processo pode auxiliá-la a desenvolver resiliência e habilidades para resolver a adversidade.

4) A pessoa está em um capítulo da vida em que deseja transição e enfrenta desafios novos ou com os quais não consegue lidar. O processo a ajuda a pensar em novas alternativas, ter uma visão do futuro, estabelecer metas e agir.

5) O líder de alto escalão sofre de solidão empresarial. Nesse caso, o processo colabora com a reflexão sobre questões que não podem ser reveladas aos acionistas, demais líderes e até mesmo a membros de sua família.

Importantíssimo: nem todos podem se submeter ao coaching. Somente indivíduos saudáveis podem fazê-lo. Pessoas que não se responsabilizam pelo resultado de seus atos ou com problemas psicológicos, como depressão e síndrome do pânico, não podem se submeter ao processo. Coaching não é terapia, e o protocolo estabelece que o coach, ao identificar um cliente com esses problemas, deve interromper a atividade e encaminhá-lo a um psicólogo.

Para escolher um coach, procure aqueles recomendados por alguém de sua confiança e que possuam certificação, preferencialmente em alguma metodologia internacional. Converse com ao menos três clientes desse coach. Peça uma proposta por escrito. Dê preferência aos profissionais que tenham como atividade principal o coaching. O coach é um profissional que contribui para transformações relevantes em sua carreira, liderança ou vida. Por isso, faça a escolha com muito rigor.

Para quem deseja ser coach

Se você deseja ser coach, saiba que a atividade não é regulamentada. Por isso, converse com profissionais da área com experiência para conhecer os cursos mais recomendados. Evite falar somente com as escolas, pois elas mostrarão que são credenciadas por entidades internacionais ou nacionais de coaches, que formaram milhares de pessoas e que são as mais antigas do setor.

Entretanto, as associações, sociedades, federações e institutos também disputam entre si quem representa com mais autoridade o setor. O fato de uma escola ter formado muitos profissionais também não assegura sua qualidade. Afinal, ninguém é necessariamente um profissional melhor porque se formou em um curso no qual muitos se graduaram. Aliás, é justamente o contrário: os cursos mais exigentes, em qualquer área, são aqueles que formam poucos profissionais, normalmente os melhores. Também é difícil saber qual é a escola mais antiga, pois depende do critério: a escola que forma profissionais há mais tempo, aquela que é reconhecida por uma federação ou instituto internacional há mais tempo, enfim, há mais de uma interpretação possível.

Outro argumento estranho que é utilizado por empresas do setor de formação de coaches é que essa é a profissão que mais cresce no mundo. Por que alguém iria querer se formar em uma carreira na qual enfrentará mais concorrência?

Dê preferência a escolas que fomentem mais o método do que os instrutores. O importante é que você aprenda um método eficiente de coaching, e não que conheça alguém famoso. O verdadeiro coach é discreto, é o andaime da obra, ninguém elogia um edifício por causa do andaime que foi utilizado em sua construção. Até porque é uma atividade reservada para pessoas de alto potencial, e seria uma indelicadeza achar que o coach é a estrela do processo. Não é. O cliente é quem reflete, tira suas conclusões, avalia os obstáculos, planeja e, principalmente, faz as ações para alcançar seus objetivos. Ele é o verdadeiro construtor da obra.

Para aquele que deseja genuinamente ser um coach, fica o convite para ingressar em uma profissão séria, que produz grande impacto na vida das pessoas, das empresas e do País. Assim como toda carreira, para ser bem-sucedido, você precisa ter vocação, um propósito elevado e pensar no longo prazo.

Minha visão é de que devemos preparar líderes e fazê-los se interessar em ocupar posições relevantes nas companhias, nos governos e no mundo. Os coaches são decisivos nessa imensa tarefa. Vamos em frente!

Fonte: Administradores

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